Diário da Borborema

Campina Grande, Domingo, 07 de Setembro de 2008

Cultura


Tempestade de ritmos

Cantor e compositor divulga trabalho em Campina Grande, onde iniciou carreira artística

Lauricéia Barros
lauriceia@db.com.br

O nome nada tem a ver com o nome do personagem de uma telenovela de sucesso. Zé Trovão é assim chamado desde criança, quando ainda nem tinha dado os primeiros passos na vida artística. José Trovão de Melo Jr. nasceu em Olinda, Pernambuco e radicou-se em Campina Grande ainda na infância, onde formou-s em Engenharia Elétrica, na Universidade Federal da Paraíba - hoje UFCG.
Passou uma temporada fora do país (França) e atualmente está em João Pessoa, seguindo uma carreira musical independente. Os novos trabalhos, um CD - 'Antes que o disco voe' e com o primeiro DVD - 'Tempestade de ritmos' o artista volta a Campina Grande para divulgar e fazer shows ao público local.

Versátil, Zé Trovão (escritor, poeta, compositor, músico e intérprete) apresenta uma mistura de ritmos, para agradar amantes de um variado estilo musical: blues, bolero, reggae, pop, dentre outros. Escreveu três livros intitulados: 'Pra Artista Ruim, tomate no Fim', 'Até Onde Sua Cabeça For' e 'O Mundo Invisível no Limite das Descobertas'.

Seus textos se caracterizam por uma intimista entrega cênica em que seus personagens movimentam-se incessantemente. Imagens e narrativas avançadas para sugerir ao leitor provocações e investidas de intensa informação poética.

'Antes que o disco voe' desafia visceralmente analogias e associações realmente novas, de um compositor múltiplo e efusivamente movido por sentimentos de amor e amizade. Eis porque esse seu novo disco é uma forma de conciliação entre a essência e a existência, de comunhão entre o lúdico e o público e de colaboração entre a natureza e o progresso tecnológico.
Para Trovão esse disco nasceu da aspiração de "quebrar-se os ovos, misturando a clara e a gema", até converter-se em suspiros e mistérios da compreensão planetária.

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Vida de jesus e maria em obras de iconografia

Duas obras de biografias que se completam e inovam a maneira de ver o Evangelho são lançadas por Edições Loyola. A vida de Jesus em ícones e A Vida de Maria em ícones fazem o leitor viajar pelas histórias de Jesus e da Virgem Maria através da iconografia do mundo cristão, imagens para serem contempladas com sentimentos.

O primeiro título é a tradução da Bíblia de Tblise, exposta na cidade latina de mesmo nome na Geórgia, sendo a vida de Jesus iconografada a partir da Anunciaão e passa por episódios como a do batismo e da última ceia. A iconografia do livro é a representação da fé, da crença e da vida de Jesus, evidenciando que a arte sacra é entendida como testemunho da fé cristã para as gerações futuras.

Os ícones são explicados por meio de trechos de hinos, sermões de santos e passagens bíblicas. As cores fortes são elementos fundamentais desses ícones, responsáveis pela dramaticidade das figuras.
A vida de Maria em ícones traz as imagens que ilustram a história da mãe de Jesus. A iconografia é repleta de preciosos detalhes, de cores frescas e femininas, tradutoras de toda a pureza de Maria. Nesta obra pode-se contemplar o ícone mais antigo da Anunciação, datado do século XIII. Os ícones são obras minuciosamente esculpidas, repletas de expressão, sentimento e símbolos religiosos. A biografia tem início ainda no Antigo Testamento, quando se anuncia que Deus mandaria a Terra seu filho. Os textos que explicam as imagens são dinâmicos, de fácil interpretaão e ajudam aqueles que não possuem tanta familiaridade com a leitura da arte sacra a decifrar a representação dos ícones.

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O nono capítulo musical

Ed Motta lança seu novo disco, "Chapter 9", e diz que sua sonoridade tem uma diferença estética de tudo que já fez e que flerta com o rock

Ricardo Anísio
ricardoanisio@jornalonorte.com.br

Os tempos estão a mudar, cantou e profetizou Bob Dylan em 1964. Para Ed Motta essa frase parece ser um lema, porque ele vive em permanente mutação. Desde quando lançou o genial e incompreendido "Dwitza" (2001) o músico deixou claro que, assim como Dylan, ele pode causar surpresas homéricas em cada disco novo. "Chapter 9", segundo disse Ed Motta ao caderno Show, "de certa forma flerta com o rock, com a estética da sonoridade do gênero".

Destacando faixas como "The Man From the Oldest Building" e "Twisted Blue" o novo salto fonográfico de Ed Motta é uma obra não tão fácil de ser compreendida por quem estiver seguindo a rota das rádios ou do Domingão do Faustão. Motta trata a música com requinte mas ao mesmo tempo o prazer lhe conduz a um aparente desprendimento. "A sonoridade roqueira aparece em certo momento porque o rock é a música que mais escuto desde garoto", diz.

As idéias de Ed Motta são geniais a partir do momento em que ele se vê livre das amarras convencionais. Por isso "Chapter 9" é uma obra a ser escutada diversas vezes até que você a possa catalogar genericamente. Ele admite que "só descobri o jazz e blues por causa do rock" e lembra que "essa é a primeira vez que o rock aparece de forma mais clara em um disco meu".

"Fiz uma moldura roqueira em torno da obra completa desse CD mas é como a casquinha do bife à milanesa, não é aquela coisa pesada, é uma pegada sutil que tem por baixo as tendências diversas que trago em minha bagagem", brinca Ed Motta para quem fazer música parece uma coisa das mais fáceis. "Me divirto fazendo música, mas ao mesmo tempo levo isso muito a sério, não entendo a coisa de outra forma", explica.

Sobre suas influências ele relata que já ouviu de tudo um pouco, porém deixa claro que isso tem um limite. "Não vou sair por aí ouvindo umas barbaridades que têm sido chamadas de música. Mas ouvi muitos discos de Soul, de Blues e como já disse antes, de rock". Segundo Ed é isso que faz seus discos serem concebidos como uma mistura de elementos que resulta em um som próprio. "Espero que percebam que no final de tudo percebem que tem a ver comigo, com a identidade de minha música".

O ecletismo de Ed Motta tem limite. "Meu interesse é pela música feita entre as décadas de 30 e 80, porque depois disso quase nada de novo me tocou a alma ou o coração, com raríssimas exceções". O autor de "Chapter 9" admite que "o que absorvo de música é sempre coisa dos anos 80 para trás" deixando claro que "cheguei a ouvir muita música erudita também, mas faz algum tempo que não faço mais isso, e não me pergunte porquê".

"Para mim uma coisa sempre puxa a outra quando se trata de música", comenta o autor de "St. Christopher's Last Stand", faixa de seu novo disco. E ele explica a constatação: "Comecei a gostar da música folk através de uma banda de heavy-metal que foi o Led Zeppellin em seu terceiro disco que era bem acústico e meu conceito sobre música pop é diferente do que as pessoas pensam", decreta.

No entendimento de Ed Motta a música pop vem de longe. "Acho que o pop veio desde os anos em que brilharam grandes músicos como Cole Porter e os irmãos Ira e George Gershwin. As canções populares que eles escreverem foram a ruptura entre a música erudita e o que considero que era o começo da denominação pop". A faixa "Tommy Boy's Big Mistake" de "Chapter 9" pode fazer o leitor entender melhor, na prática, o que Motta entende como pop-music.

O que o exigente, e eclético Ed Motta destacaria entre o que tem escutado recentemente? "O que tem me chamado muito a atenção é o trabalho da Orkestra Rumpilezz e a Spok Frevo Orquestra. Acho fantástico o que esses dois núcleos musicais andam fazendo, uma maneira inovadora de remeter-nos às big-bands sem ser pasticho". Para situar o leitor a orquestra Rumpilezz é de Salvador (BA) e a Spok Frevo é de Recife (PE), ambas trabalham com fusões de música tradicional e experimentalismos com arranjos inovadores.

"Tenho ficado triste ao constatar que o mundo inteiro cada vez mais dá espaço à música de apelo mais fácil", lamenta Ed Motta fazendo questão de lembrar que esse não é um mal apenas do Brasil e que "o baixo nível tem correlativos na América do Norte e em outros lugares mais". Para ele "a alienação não é só uma coisa brasileira, o mundo está chato e frívolo". Quando elogio o seu "Dwitza" ele fica feliz e alega que "foi um trabalho diferente realmente e chamou a atenção também fora do Brasil, mas não sou um cara pragmático e preciso pagar as minhas contas". O que tem uma coisa a ver com a outra? É que "Dwiza" não vendeu quase nada porque é experimental e rico musicalmente.

"Chapter 9" não é banal, porque nada em Ed Motta é banal quando se trata de música. "Mas quero poder fazer sempre o melhor e ao mesmo tempo que o público, mesmo que pequeno, tenha acesso e compreenda a minha proposta". Para provar isso desafia os produtores de João Pessoa: "Avise que se quiserem eu vou tocar de graça aí, basta pagar as passagens, hospedagem e o som (risos)". Esse é Ed Motta. "Chapter 9" você só vai saber do que se trata quando ouvir, e fazer isso com atenção para não perder seus ricos detalhes.


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O "Cuscuz Bondade" voltou

Da década de 40 à de 80 do século passado, com a inexistência de certo produtos alimentares light com forma de proteção e preservação, considerando o fator econômico ante a geladeira que não era comum e ainda funcionava com unidade de motor aberto, fazia um barulho característico, que o ornamento de louça o "Pingüim" como peça decorativa "balançava" e saia do lugar.

Café da manhã - Existia no bairro de Jaguaribe (jaguar=onça, ibe=rio) uma fabricação doméstica de cuscuz denominado de "Bondade" que era a alegria da garotada; cuja instalação na Rua Alberto de Brito, por um cidadão de nacionalidade oriental e que notabilizou-se pela produção, paladar, asseio, preço e pontualidade.

O "Bondade" tão falado pelos cronistas e vizinhos de coluna Martinho Moreira (que não é apologista de bebida?) e o engenheiro memorialista Carlos Pereira; o produto era tão esperado pelos familiares com as vendas à porta de casa os jovens ainda de pijama e na hora certa como dieta do café da manhã

O cuscuz, era hábito alimentar de boa nutrição e bom paladar, molhado no leite de coco puro com açúcar e sal; era uma delicia, um verdadeiro "Mana"

"Naquela época, tnham-se a porta, venda de leite natural" pelo vaqueiro com uma vaca Turina malhada, tirado na hora no ubre, ainda espumante e com o calor do corpo do animal; em cada copo açúcar e canela "era um pedaço do céu também". O tabuleiro que acondicionava o produto do xerém, era de alumínio, medindo 0l.30 m por 0.80 m; e para recolher o produto, era uma espátula com cabo em 45 graus; o vendedor usava uma bata branca, proteção na cabeça, um apito característico e um tripé em alumínio.

A Volta - A Sra. Socorro Fernandes em viagem ao Ceará, conseguiu estabelecer uma fómula semelhante e resolveu explorar o comércio, com sua filha Poliana, e essa última adaptou acondicionamento moderno plastificando e distribuindo com as grandes panificadoras como no bairro de Tambaú.


Os remanescentes de Jaguaribe, nutridos a base do "Bondade" alem dos cronistas acima citados; Newton leite, Odilon, Saulo, Targino, Silas, as jovens Teresinha e Miselda Rosendo, (esposa do autor) Josias, Osias, Missias, Marta e Cecília; Creusa Pires na época dançava lapinha e era a Contra Mestra.

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